Entre as grandes figuras espirituais da Idade Média, São Bernardo de Clairvaux ocupa um lugar excecional. Monges cisterciense, abade, pregador, teólogo, conselheiro dos papas e autor espiritual, exerceu uma influência considerável sobre a Igreja e a sociedade europeia do século XII.
Mas por trás desta impressionante figura histórica encontra-se, acima de tudo, um homem profundamente movido pela busca de Deus, pelo amor a Cristo e por uma imensa devoção à Virgem Maria.
Fundador e primeiro abade de Clairvaux, Bernardo contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da Ordem Cisterciense. Os seus sermões e escritos espirituais atravessaram os séculos e valeram-lhe ser proclamado doutor da Igreja.
Quem era realmente São Bernardo de Clairvaux? Por que razão se tornou tão famoso? Que papel desempenhou na história da Igreja? Qual era a sua relação com a Virgem Maria? E por que razão os cristãos continuam a rezar-lhe hoje em dia?
Partamos à descoberta de um dos maiores mestres espirituais da história cristã.
Quem foi São Bernardo de Clairvaux?
Bernardo de Clairvaux nasceu em 1090 em Fontaine-lès-Dijon, na Borgonha, numa família da nobreza.
Cresceu num ambiente cristão e recebeu uma educação esmerada.
A sua mãe, Aleth, desempenhou um papel particularmente importante na sua formação religiosa.
Bernardo demonstrou, desde muito jovem, uma grande sensibilidade espiritual, bem como uma inteligência notável.
Poderia ter escolhido uma vida confortável, condizente com a sua posição social.
No entanto, após a morte da sua mãe e um período de profunda reflexão, sentiu um chamamento cada vez mais forte para a vida monástica.
Decide então renunciar à carreira e aos privilégios a que a sua origem social o poderia ter conduzido.
A sua escolha virá a transformar não só a sua própria existência, mas também a história do monaquismo ocidental.
Por que razão Bernardo ingressou na abadia de Cîteaux?
Por volta de 1112 ou 1113, Bernardo decidiu ingressar na abadia de Cîteaux, fundada alguns anos antes na Borgonha.
Os monges de Cîteaux desejavam regressar a uma observância mais rigorosa da regra de São Bento.
Procuravam uma vida caracterizada pela simplicidade, pela oração, pelo silêncio, pelo trabalho e por uma certa pobreza.
A escolha de Bernardo é radical.
Mas o que é ainda mais surpreendente é a sua capacidade de levar os outros consigo.
Ele convence vários membros da sua família e muitos companheiros a aderirem à vida monástica.
Segundo a tradição, cerca de trinta homens terão assim acompanhado Bernardo na sua entrada em Cîteaux.
Esta chegada representa um acontecimento importante para a jovem comunidade cisterciense.
Bernardo tinha então apenas cerca de vinte anos.
A fundação da abadia de Clairvaux
Apenas alguns anos após a sua entrada em Cîteaux, Bernardo foi enviado com um grupo de monges para fundar uma nova abadia.
Em 1115, instalaram-se num vale situado na atual região de Aube.
O local passa a chamar-se Clairvaux, Clara Vallis, ou seja, o «vale claro».
Bernardo tornou-se o seu primeiro abade.
Permaneceu profundamente ligado a Clairvaux durante toda a sua vida, ao ponto de a história passar a conhecê-lo pelo nome de Bernardo de Clairvaux.
Os inícios foram difíceis.
A vida dos primeiros monges é extremamente austera.
Rezam, trabalham e vivem com grande simplicidade.
O próprio Bernardo impõe ao seu corpo uma disciplina tão severa que a sua saúde ficará permanentemente debilitada.
Com o tempo, compreende, no entanto, que a vida espiritual não consiste simplesmente em multiplicar as privações.
O essencial está noutro lugar: procurar Deus e aprender a amar.
Por que razão São Bernardo de Clairvaux é tão importante na história dos cistercienses?
A influência de Bernardo contribui enormemente para o desenvolvimento da ordem cisterciense.
O seu carisma atrai numerosas vocações.
Clairvaux torna-se rapidamente uma abadia importante e dá origem a muitas outras fundações monásticas.
Na altura da morte de Bernardo, o movimento cisterciense já se tinha desenvolvido consideravelmente por toda a Europa.
No entanto, esta expansão não assenta apenas na organização.
Bernardo propõe uma visão muito exigente, mas profundamente interior, da vida monástica.
O monge deve libertar-se progressivamente daquilo que o afasta de Deus.
O silêncio, a oração, o trabalho, a pobreza e a vida fraterna são meios que permitem abrir ainda mais o coração ao Senhor.
O objetivo não é, portanto, a austeridade em si mesma.
O objetivo é o amor a Deus.
São Bernardo, um homem de silêncio no coração da Europa
Bernardo desejava profundamente a vida contemplativa.
Provavelmente teria desejado passar a maior parte da sua vida no seu mosteiro.
No entanto, as circunstâncias levá-lo-iam constantemente para fora de Clairvaux.
A sua reputação de sabedoria tornou-se imensa.
Bispos, abades, príncipes e papas procuravam os seus conselhos.
Interveio em numerosos conflitos religiosos e políticos.
Viaja por toda a Europa.
Escreve cartas.
Pregou.
Aconselhou.
Tentou reconciliar adversários.
Este paradoxo caracterizou toda a sua existência.
Bernardo procura o silêncio, mas o mundo vem incessantemente procurá-lo.
São Bernardo e a crise do papado
Um dos episódios mais importantes da sua vida ocorre após a morte do Papa Honório II, em 1130.
Dois homens reivindicam então o papado: Inocêncio II e Anacleto II.
A cristandade ocidental encontra-se dividida.
Bernardo compromete-se a apoiar Inocêncio II.
A sua influência e as suas viagens contribuem para reunir diferentes soberanos e líderes religiosos em torno desta causa.
Este episódio demonstra a enorme importância adquirida pelo abade de Clairvaux.
Sem ser bispo nem cardeal, Bernardo possuía uma autoridade moral tal que a sua palavra era ouvida em grande parte da Europa cristã.
Bernardo de Clairvaux e o Papa Eugénio III
A influência de Bernardo torna-se ainda mais notável quando um dos seus antigos monges se torna papa.
Em 1145, Bernardo Paganelli, antigo religioso de Clairvaux, é eleito papa com o nome de Eugénio III.
Bernardo dirige-lhe então uma obra importante, geralmente conhecida pelo título Sobre a Consideração (De consideratione).
Nela, reflete nomeadamente sobre as responsabilidades espirituais ligadas ao exercício do poder.
Bernardo recorda ao papa que, no meio das suas numerosas obrigações, nunca deve perder de vista o essencial: a sua relação com Deus.
Este ensinamento ultrapassa largamente o contexto medieval.
Ele coloca uma questão que continua atual:
Como exercer responsabilidades importantes sem perder a sua vida interior?
São Bernardo e a Segunda Cruzada
A vida de Bernardo inclui também episódios que devem ser contextualizados no seu contexto histórico.
Em 1146, a pedido do Papa Eugénio III, Bernardo pregou a favor da segunda cruzada.
A sua eloquência contribuiu fortemente para mobilizar as populações e os soberanos.
A expedição termina, no entanto, num grave fracasso.
Este episódio continua a ser um dos aspetos históricos mais discutidos da sua ação.
É importante compreender Bernardo como um homem do século XII, que vivia num contexto religioso, político e cultural muito diferente do nosso.
O seu empenho na cruzada insere-se plenamente nessa história medieval e não pode ser separado da sua época.
Paralelamente, Bernardo interveio também para condenar os atos de violência cometidos contra as comunidades judaicas durante as pregações relacionadas com a cruzada, recordando que estas não deviam ser perseguidas.
A figura de Bernardo é, portanto, complexa, tal como costumam ser as grandes personalidades históricas.
Por que razão São Bernardo é chamado de «Doutor Mellifluo»?
São Bernardo possui um título particularmente poético: Doctor Mellifluus, geralmente traduzido por «Doutor Mellifluo» ou «doutor cujas palavras fluem como o mel».
Esta designação remete para a doçura e a riqueza espiritual do seu ensinamento.
Bernardo possui um talento notável para falar do amor de Deus.
A sua teologia não é apenas intelectual.
É profundamente contemplativa.
Ele não se contenta em conhecer Deus apenas com a inteligência.
Ele quer amar a Deus e levar os outros a experimentar esse amor.
Esta dimensão explica a força extraordinária dos seus escritos espirituais.
O amor de Deus no cerne da espiritualidade de São Bernardo
Uma das obras mais famosas de Bernardo é o seu Tratado do Amor de Deus.
Nele, ele desenvolve uma verdadeira progressão espiritual.
O ser humano começa frequentemente por amar em função das suas próprias necessidades.
Depois, descobre progressivamente Deus.
À medida que a relação com o Senhor cresce, o seu amor torna-se mais livre e mais desinteressado.
Para Bernardo, toda a vida cristã pode, em última análise, ser entendida como uma escola do amor.
Não basta respeitar as regras exteriormente.
O coração tem de ser transformado.
A oração, os sacramentos, a leitura da Bíblia e a caridade devem conduzir progressivamente o ser humano a um amor mais profundo por Deus e pelo próximo.
São Bernardo e Jesus Cristo
A espiritualidade de Bernardo está profundamente centrada em Cristo.
Ele medita particularmente sobre a humanidade de Jesus.
O nascimento de Cristo, a sua vida terrena, a sua Paixão e a sua Cruz ocupam um lugar essencial na sua contemplação.
Bernardo compreende que Deus não é uma realidade distante.
Em Jesus Cristo, Deus aproximou-se da humanidade.
Tornou-se acessível.
Esta contemplação alimenta uma relação extremamente pessoal com Cristo.
Bernardo não se limita a falar de Jesus.
Procura viver com Jesus.
São Bernardo de Clairvaux e a Virgem Maria
São Bernardo é igualmente famoso pela sua profunda devoção à Virgem Maria.
Ao longo dos séculos, tornar-se-á uma das grandes figuras da espiritualidade mariana ocidental.
Para Bernardo, Maria é, acima de tudo, aquela que conduz a Cristo.
Ele contempla a sua humildade, a sua obediência e a sua confiança em Deus.
O seu «sim» na Anunciação torna-se o modelo para toda a alma que deseja acolher a vontade divina.
A tradição cristã associa também Bernardo a vários textos e orações marianas.
Nem todas as formulações que lhe foram atribuídas ao longo dos séculos são necessariamente da sua autoria, mas esta tradição testemunha a imensa influência da sua espiritualidade mariana.
«Olha para a estrela, invoca Maria»
Uma das passagens mais famosas de São Bernardo compara a Virgem Maria a uma estrela que guia os homens no meio das tempestades.
Esta imagem marcou profundamente a espiritualidade cristã.
A vida humana assemelha-se, por vezes, a um mar agitado.
Passamos por períodos de dúvida, medo, tentação ou desânimo.
Bernardo convida, então, o cristão a voltar o seu olhar para Maria.
Não para se deter nela, mas porque ela conduz ao seu Filho.
A imagem de Maria, estrela do mar, expressa assim uma confiança muito profunda na sua intercessão.
São Bernardo e o «Lembra-te»
Uma famosa oração mariana começa com as palavras:
«Lembra-te, ó Virgem Maria, muito misericordiosa… »
É frequentemente associada a São Bernardo de Clairvaux na tradição popular.
No entanto, os historiadores geralmente não consideram Bernardo como o autor certo da forma atual desta oração.
Esta precisão é interessante, pois permite distinguir a história da tradição.
Embora o «Souvenez-vous» provavelmente não tenha sido composto diretamente por Bernardo, a sua imensa devoção mariana explica facilmente por que razão o seu nome lhe foi associado ao longo do tempo.
Os sermões de São Bernardo sobre o Cântico dos Cânticos
Entre as principais obras de Bernardo contam-se os seus famosos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos.
O Cântico dos Cânticos é um livro bíblico que utiliza a linguagem do amor.
Bernardo vê nele uma imagem da relação entre Deus e a alma.
Dedica numerosos sermões à meditação sobre este encontro.
Estes textos contam-se entre as obras-primas da literatura mística cristã.
Mostram que, para Bernardo, a fé não consiste apenas em acreditar que Deus existe.
A fé é um convite para entrar numa verdadeira relação de amor com Deus.
São Bernardo e a humildade
A humildade constitui outro pilar da sua espiritualidade.
Bernardo sabe bem como o ser humano pode facilmente tornar-se prisioneiro do seu orgulho.
O desejo de ser admirado, reconhecido ou de se sentir superior aos outros pode, progressivamente, ocupar todo o espaço.
A humildade permite, pelo contrário, encarar a verdade.
Consiste em reconhecer o que somos perante Deus, com as nossas qualidades, mas também com as nossas limitações.
Este autoconhecimento deve conduzir não ao desânimo, mas à confiança.
Pois a santidade cristã não consiste em tornar-se perfeito apenas com as nossas próprias forças.
Consiste em deixar Deus agir em nós.
Por que razão São Bernardo é Doutor da Igreja?
São Bernardo foi canonizado em 1174 pelo Papa Alexandre III, apenas cerca de vinte anos após a sua morte.
Em 1830, o Papa Pio VIII proclamou-o Doutor da Igreja.
Este título reconhece a importância excecional do seu ensinamento para a fé cristã.
Os seus escritos sobre o amor a Deus, a Cristo, à Virgem Maria, à humildade e à vida contemplativa influenciaram profundamente a espiritualidade ocidental.
Bernardo tornou-se assim um dos grandes mestres da tradição monástica cristã.
Quando se celebra São Bernardo de Clairvaux?
São Bernardo de Clairvaux é comemorado a 20 de agosto na Igreja Católica.
Esta data corresponde ao aniversário da sua morte, ocorrida a 20 de agosto de 1153 em Clairvaux.
Tinha cerca de 63 anos.
Após uma vida extraordinariamente ativa, aquele que tanto tinha viajado e participado nos grandes acontecimentos da sua época terminou a sua vida na abadia de que tinha sido o primeiro abade.
De que é São Bernardo de Clairvaux o padroeiro?
São Bernardo é tradicionalmente associado ao mundo monástico e, em particular, aos cistercienses.
É igualmente invocado por aqueles que procuram aprofundar a sua vida interior e a sua relação com Deus.
A sua imensa devoção mariana faz dele também uma figura particularmente apreciada pelos cristãos que desejam aproximar-se da Virgem Maria.
O seu exemplo pode acompanhar todos aqueles que procuram conciliar responsabilidades, atividade e vida espiritual.
Por que rezar a São Bernardo de Clairvaux?
Podemos pedir a intercessão de São Bernardo quando a nossa vida se torna demasiado agitada.
Ele pode ajudar-nos a reencontrar o silêncio interior.
Também podemos recorrer a ele quando temos dificuldade em rezar ou quando a nossa fé se torna mais frágil.
São Bernardo ensina-nos a voltar ao essencial:
Deus ama-nos e chama-nos a amá-Lo.
Também pode ser invocado quando desejamos confiar uma intenção particular à Virgem Maria.
Toda a sua espiritualidade nos lembra que Maria acompanha o cristão e o conduz até Jesus.
O que nos ensina São Bernardo hoje?
A nossa época parece muito distante da de Bernardo de Clairvaux.
Vivemos rodeados de ecrãs, notificações, informações e solicitações constantes.
Bernardo vivia num mosteiro do século XII.
E, no entanto, o seu ensinamento parece, por vezes, ter sido escrito para o nosso tempo.
Em primeiro lugar, ele recorda-nos a necessidade do silêncio.
Existe um silêncio exterior, mas também um silêncio interior.
Podemos afastar-nos do ruído, mantendo, no entanto, mil preocupações dentro de nós.
Bernard convida-nos a criar um espaço onde Deus possa ser ouvido.
Ensina-nos também a não confundir atividade com fecundidade.
Uma existência pode ser extremamente preenchida, mesmo que se passe ao lado do essencial.
A verdadeira questão não é, portanto, apenas:
«O que realizei hoje?»
Mas talvez também:
«Que lugar reservei a Deus hoje?» »
São Bernardo e a nossa relação com o tempo
O próprio Bernardo conheceu essa luta.
Adorava a solidão de Clairvaux, mas era constantemente solicitado.
Tinha de viajar, aconselhar, escrever e intervir nos assuntos da Igreja.
Sabia, portanto, perfeitamente o que significa estar absorvido pelas responsabilidades.
O seu ensinamento convida-nos a não deixar que a urgência devore o essencial.
Mesmo quando estamos muito ocupados, precisamos de momentos para voltar a Deus.
Alguns minutos de oração.
Uma passagem do Evangelho.
Um momento de silêncio.
Uma visita a uma igreja.
Um terço rezado lentamente.
Estes momentos podem parecer pequenos.
Mas, por vezes, permitem que todo o nosso dia recupere o seu verdadeiro centro.
As grandes lições espirituais de São Bernardo de Clairvaux
A vida de São Bernardo transmite-nos vários ensinamentos particularmente valiosos.
Procurar Deus acima de tudo.
O sucesso, as responsabilidades e o reconhecimento nunca podem substituir uma verdadeira vida interior.
Aprender a amar.
Para Bernardo, toda a vida cristã é um progresso no amor.
Dar espaço ao silêncio.
O silêncio permite ao coração redescobrir o que realmente importa.
Contemplar Cristo.
Jesus não é apenas uma figura histórica. É Aquele com quem o cristão é chamado a viver.
Confiar-se à Virgem Maria.
Bernard convida-nos a olhar para Maria como uma estrela quando o nosso caminho se torna obscuro.
Permanecer humilde.
Quanto mais o ser humano se aproxima de Deus, mais descobre que tudo é graça.
Oração a São Bernardo de Clairvaux
São Bernardo de Clairvaux,
tu que abandonaste as honras do mundo
para procurar Deus no silêncio,
ensina-nos a voltar ao essencial.
Quando os nossos dias se tornam demasiado agitados,
quando os nossos pensamentos se dispersam
e quando as preocupações invadem o nosso coração,
ajuda-nos a reencontrar o caminho da oração.
São Bernardo,
tu que tanto meditaste sobre o amor de Deus,
ensina-nos a amar o Senhor
não só com as nossas palavras,
mas com toda a nossa vida.
Faz crescer em nós
um coração humilde,
paciente e generoso.
Tu, que contemplaste Cristo
e meditaste sobre o mistério do seu amor,
ajuda-nos a permanecer perto Dele
tanto nos dias felizes
como nos dias difíceis.
São Bernardo,
tu que tanto amaste a Virgem Maria,
ensina-nos a confiar-nos a ela.
Quando atravessamos tempestades,
quando a dúvida nos invade
e quando já não sabemos que caminho seguir,
lembra-nos de olhar para Maria,
estrela que nos conduz ao seu Filho.
Confia-lhe as nossas famílias,
as nossas preocupações,
os nossos projetos,
os nossos sofrimentos
e todas as intenções que guardamos no nosso coração.
Intercede por aqueles que perderam a paz.
Por aqueles que procuram o seu caminho.
Por aqueles que já não conseguem rezar.
Por aqueles que se sentem distantes de Deus.
E por todos aqueles que precisam
de reencontrar a esperança.
São Bernardo de Clairvaux,
doutor da Igreja
e fiel servo da Virgem Maria,
conduz-nos até Jesus
e ensina-nos a fazer da nossa vida
uma resposta ao seu amor.
Reza por nós.
Ámen.
São Bernardo de Clairvaux: procurar Deus no meio do barulho
São Bernardo faleceu há quase nove séculos.
No entanto, a sua mensagem permanece surpreendentemente viva.
Toda a sua existência acaba por nos colocar uma questão muito simples:
Que lugar ocupa Deus, na verdade, na nossa vida?
Bernardo conheceu as responsabilidades, as viagens, os conflitos e as preocupações.
Aconselhou papas e soberanos.
Participou nos grandes acontecimentos do seu século.
Mas por trás de toda essa atividade subsistia um desejo muito mais profundo:
procurar Deus.
Talvez seja isto que São Bernardo de Clairvaux ainda nos possa ensinar hoje.
No meio do barulho, reencontrar o silêncio.
No meio das nossas inquietudes, reencontrar a confiança.
No meio das nossas ambições, reencontrar a humildade.
No meio das nossas ocupações, reencontrar a oração.
E quando o caminho se torna obscuro, erguer os olhos para aquela estrela que Bernardo tanto gostava de contemplar: a Virgem Maria, que conduz sempre o cristão para o seu Filho Jesus Cristo.