O que é a verdadeira felicidade segundo Jesus? Será possível encontrar a paz interior no meio das provações, da pobreza, das injustiças e dos sofrimentos da vida? Através das Bem-aventuranças, proferidas durante o famoso Sermão da Montanha, Jesus Cristo revela-nos uma visão da felicidade profundamente diferente daquela que o mundo propõe.
No Evangelho segundo São Mateus, no capítulo 5, versículos 1 a 12, Jesus proclama as oito Bem-aventuranças, que constituem um dos ensinamentos mais importantes de toda a fé cristã.
«Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus. » (Mateus 5, 3)
Estas palavras podem surpreender. Como é que os pobres, aqueles que choram, os perseguidos ou aqueles que sofrem injustiça podem ser declarados bem-aventurados?
Para compreender este ensinamento, é preciso perceber que a felicidade de que fala Jesus não depende apenas das circunstâncias da nossa existência, mas da nossa relação com Deus e da esperança no Reino dos Céus.
As Bem-aventuranças não são meros conselhos de sabedoria. Representam o cerne do Evangelho e traçam o retrato do verdadeiro discípulo de Cristo.
Mostram-nos também o rosto do próprio Jesus, que viveu na humildade, na mansidão, na misericórdia e no amor, até à entrega total da sua vida.
Vamos descobrir juntos o significado de cada uma das oito Bem-aventuranças, o seu alcance espiritual e a forma como podem transformar a nossa vida quotidiana.
1. O Sermão da Montanha: o contexto das Bem-aventuranças
O Evangelho segundo São Mateus situa as Bem-aventuranças no início do Sermão da Montanha, que se estende pelos capítulos 5 a 7.
Jesus acabara de iniciar o seu ministério público na Galiléia. Anuncia a proximidade do Reino de Deus, ensina nas sinagogas e cura muitos doentes.
A sua reputação atrai multidões vindas de diferentes regiões.
São Mateus relata:
«Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Sentou-se, e os seus discípulos aproximaram-se dele. » (Mateus 5, 1)
Esta cena possui um profundo significado bíblico.
No Antigo Testamento, a montanha é frequentemente um local privilegiado de encontro com Deus.
Foi, nomeadamente, no Monte Sinai que Moisés recebeu a Lei divina.
Ao apresentar Jesus a ensinar numa montanha, São Mateus sublinha a autoridade especial do seu ensinamento.
Cristo não vem para abolir a Lei de Deus, mas para a cumprir e revelar toda a sua profundidade.
Não se contenta em dar regras exteriores.
Apela a uma transformação interior do coração.
As Bem-aventuranças dão início a este ensinamento, apresentando as disposições espirituais que caracterizam aqueles que acolhem o Reino de Deus.
Constituem, assim, uma verdadeira introdução à vida cristã.
2. O que significa a palavra «Bem-aventurança» na Bíblia?
O termo «bem-aventurança» provém do latim beatitudo, que designa um estado de profunda felicidade ou bem-estar.
Nos Evangelhos, a palavra grega makarios é geralmente traduzida por «feliz» ou «bem-aventurado».
Mas a felicidade anunciada por Jesus não corresponde simplesmente a um sentimento agradável ou a uma satisfação passageira.
Trata-se de uma felicidade enraizada na presença de Deus e na promessa do seu Reino.
As Bem-aventuranças não significam que o sofrimento seja bom em si mesmo ou que as dificuldades devam ser procuradas.
Jesus não glorifica nem a miséria, nem as lágrimas, nem a perseguição.
Ele anuncia que Deus permanece próximo daqueles que atravessam essas provações e que o seu sofrimento não terá a última palavra.
As Bem-aventuranças possuem, portanto, uma dimensão presente e uma dimensão futura.
Já a partir de agora, o crente pode descobrir a paz de Deus no meio das dificuldades.
Mas a plenitude da felicidade prometida encontrará o seu cumprimento na vida eterna.
A felicidade cristã não consiste em nunca sofrer, mas em saber que o amor de Deus é mais forte do que o sofrimento e a morte.
3. Primeira Bem-aventurança: «Bem-aventurados os pobres de espírito»
«Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus. » (Mateus 5, 3)
A primeira Bem-aventurança ocupa um lugar fundamental.
Ela dá início a todo o ensinamento de Jesus e revela-nos a importância da humildade.
Ser pobre de espírito não significa necessariamente carecer de bens materiais.
Esta expressão designa, acima de tudo, uma atitude interior.
O pobre de espírito reconhece que não pode realizar tudo apenas com as suas próprias forças.
Sabe que precisa de Deus.
Ao contrário do orgulhoso, que pensa ser autossuficiente, o pobre de espírito acolhe a graça divina com confiança.
Não baseia o seu valor na sua riqueza, no seu sucesso ou na sua reputação.
Compreende que a sua verdadeira riqueza reside no amor de Deus.
Esta Bem-aventurança convida-nos também a refletir sobre a nossa relação com os bens materiais.
Os bens não são maus em si mesmos.
Mas tornam-se um obstáculo quando ocupam todo o espaço no nosso coração.
O cristão é chamado a utilizar o que possui com responsabilidade, justiça e generosidade.
Deve permanecer livre interiormente.
A pobreza de coração ensina-nos, assim, a agradecer a Deus pelo que recebemos e a não nos apegarmos excessivamente às coisas passageiras.
Ser pobre de coração é reconhecer que Deus é a nossa maior riqueza.
4. Segunda Bem-aventurança: «Bem-aventurados os que choram»
«Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. » (Mateus 5, 4)
Esta palavra pode parecer paradoxal.
Como é que Jesus pode declarar felizes aqueles que choram?
Para compreender esta Bem-aventurança, é preciso distinguir o sofrimento em si da promessa divina que o acompanha.
Jesus não diz que as lágrimas são agradáveis nem que a tristeza deva ser procurada.
Ele anuncia que Deus não abandona aqueles que sofrem.
As lágrimas podem ter muitas causas: a perda de um ente querido, a doença, a solidão, a injustiça, as dificuldades familiares ou o arrependimento pelos próprios erros.
Em cada uma destas situações, a fé cristã lembra-nos que Deus conhece as nossas feridas.
O próprio Jesus chorou perante a morte do seu amigo Lázaro.
Ele conheceu a angústia no jardim do Getsêmani e o sofrimento da Paixão.
Cristo, portanto, não olha para a dor humana de longe.
Ele próprio a atravessou.
A promessa de consolo não significa que todas as nossas dificuldades desaparecerão imediatamente.
Assegura-nos, porém, que o sofrimento não é o fim definitivo da nossa existência.
Na fé cristã, esta esperança encontra o seu cumprimento na Ressurreição e na vida eterna.
Esta Bem-aventurança convida-nos também a tornarmo-nos instrumentos de consolo.
Visitar uma pessoa doente, acompanhar uma família enlutada ou ouvir alguém que atravessa uma provação são formas concretas de manifestar a ternura de Deus.
5. Terceira Bem-aventurança: «Bem-aventurados os mansos»
«Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.» (Mateus 5, 5)
Na nossa sociedade, a mansidão é por vezes confundida com fraqueza.
Admiramos frequentemente as pessoas capazes de se impor, de defender os seus interesses e de afirmar a sua autoridade.
No entanto, Jesus apresenta a mansidão como uma verdadeira força espiritual.
Ser manso não significa aceitar passivamente todas as injustiças nem renunciar à defesa da verdade.
A mansidão cristã consiste em recusar a violência, a brutalidade e o orgulho.
Exige controlar a ira e tratar os outros com respeito.
O próprio Jesus apresenta-se como «manso e humilde de coração» no Evangelho segundo São Mateus.
Ao longo de toda a sua vida pública, Ele manifesta essa mansidão para com os pecadores, os doentes e as pessoas rejeitadas.
Mas a sua mansidão não O impede de denunciar a hipocrisia ou de defender a dignidade humana.
É uma força guiada pelo amor.
Na nossa vida quotidiana, esta Bem-aventurança pode traduzir-se na paciência perante conflitos familiares, no controlo das nossas palavras e na recusa de responder à agressividade com agressividade.
A mansidão permite construir relações mais justas e fraternas.
O verdadeiro discípulo de Cristo procura vencer o mal não pela violência, mas pela força do amor.
6. Quarta Bem-aventurança: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça»
« Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados.» (Mateus 5, 6)
Jesus recorre aqui a duas necessidades fundamentais do ser humano: a fome e a sede.
Estas imagens expressam um desejo intenso, profundo e vital.
Ter fome e sede de justiça significa desejar ardentemente que a vontade de Deus se cumpra.
Na Bíblia, a justiça não se limita ao respeito pelas leis humanas.
Inclui também a fidelidade a Deus, a retidão do coração e o respeito pela dignidade dos outros.
O cristão é chamado a procurar uma vida justa perante Deus.
Isso implica lutar contra a mentira, o egoísmo, a corrupção e as injustiças.
Mas essa busca começa também no nosso próprio coração.
Não podemos exigir justiça no mundo enquanto nos recusamos a reconhecer as nossas próprias falhas.
A quarta Bem-aventurança convida-nos, portanto, a uma conversão pessoal e a um compromisso concreto para com o próximo.
Lembra-nos que Deus vê as injustiças que, por vezes, parecem triunfar na terra.
A Sua promessa de saciedade anuncia a realização definitiva da Sua justiça.
Entretanto, somos chamados a tornar-nos artífices dessa justiça na nossa vida quotidiana.
7. Quinta Bem-aventurança: «Bem-aventurados os misericordiosos»
«Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. » (Mateus 5, 7)
A misericórdia está no cerne da mensagem cristã.
Designa aquele amor que se inclina sobre a miséria humana para levantar, perdoar e devolver a esperança.
Ao longo dos Evangelhos, Jesus manifesta a misericórdia do Pai.
Ele acolhe os pecadores, perdoa as faltas e devolve a dignidade àqueles que a sociedade condena.
A parábola do filho pródigo oferece-lhe uma ilustração particularmente comovente.
O pai acolhe o seu filho arrependido com alegria, sem o aprisionar nos seus erros passados.
A misericórdia cristã não significa que o mal se torne aceitável.
Não elimina a necessidade da justiça nem a responsabilidade de reparar os danos causados.
Mas recusa-se a reduzir uma pessoa às suas falhas.
Ser misericordioso é aprender a perdoar, a compreender as fragilidades humanas e a ajudar aqueles que sofrem.
Esta atitude pode ser particularmente difícil quando fomos feridos.
O perdão exige, por vezes, tempo, um verdadeiro percurso interior e a graça de Deus.
Não significa necessariamente esquecer o mal sofrido ou restabelecer uma relação perigosa.
Consiste em procurar, gradualmente, libertar-se do ódio e do desejo de vingança.
Ao acolhermos a misericórdia de Deus, somos convidados a tornar-nos nós próprios testemunhas dessa misericórdia.
8. Sexta Bem-aventurança: «Bem-aventurados os de coração puro»
«Bem-aventurados os de coração puro, porque verão a Deus.» (Mateus 5, 8)
A pureza de coração ocupa um lugar essencial na espiritualidade cristã.
Não se limita a uma dimensão específica da moral.
Diz respeito a toda a nossa vida interior: as nossas intenções, os nossos pensamentos, os nossos desejos e a nossa maneira de amar.
Um coração puro procura Deus com sinceridade.
Rejeita a hipocrisia, a mentira e a duplicidade.
Não procura parecer justo perante os homens, enquanto cultiva voluntariamente o mal em segredo.
Nos Evangelhos, Jesus insiste regularmente na importância do coração.
Ele recorda que a verdadeira fidelidade a Deus não se reduz à observância exterior de regras religiosas.
Exige uma transformação profunda do nosso ser.
A pureza de coração está também ligada à simplicidade.
Quem possui um coração puro aprende a olhar para os outros sem os reduzir a objetos de interesse, de desejo ou de poder.
Procura amar com verdade.
A promessa «verão a Deus» anuncia a comunhão definitiva com o Senhor na vida eterna.
Mas, já hoje, a purificação do coração permite-nos reconhecer mais facilmente a presença de Deus na nossa existência.
A oração, os sacramentos, a leitura do Evangelho e os atos de caridade ajudam-nos a avançar neste caminho.
9. Sétima Bem-aventurança: «Bem-aventurados os artífices da paz»
«Bem-aventurados os artífices da paz, porque serão chamados filhos de Deus. » (Mateus 5, 9)
A paz constitui um dos dons mais preciosos anunciados por Cristo.
Aquando do seu nascimento em Belém, os anjos proclamaram a paz aos homens.
Após a sua Ressurreição, Jesus apareceu aos seus discípulos, dizendo-lhes: «A paz esteja convosco!»
Mas a paz cristã não significa simplesmente a ausência de conflito.
Significa uma relação justa com Deus, com os outros e consigo mesmo.
Jesus não diz apenas: «Bem-aventurados os que amam a paz.»
Ele fala dos artífices da paz.
Esta expressão sublinha uma responsabilidade ativa.
Construir a paz exige esforço, paciência e, por vezes, grande coragem.
Numa família, ser artífice da paz pode significar promover o diálogo, evitar palavras ofensivas ou procurar a reconciliação.
Na sociedade, isso pode implicar defender a justiça, rejeitar o ódio e promover o respeito entre as pessoas.
A verdadeira paz não pode ser construída sobre a mentira ou a injustiça.
Tem de assentar na verdade, na dignidade humana e na caridade.
Ao tornarem-se artífices da paz, os discípulos de Jesus dão testemunho da sua pertença ao Pai celestial.
Manifestam, através dos seus atos, algo do amor de Deus pela humanidade.
10. Oitava Bem-aventurança: «Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça»
«Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. » (Mateus 5, 10)
A última Bem-aventurança recorda que seguir Jesus nem sempre é um caminho fácil.
Cristo não promete aos seus discípulos uma existência sem oposição nem dificuldades.
Pelo contrário, Ele prepara-os para, por vezes, enfrentarem a incompreensão, a rejeição ou a perseguição.
Desde os primeiros séculos do cristianismo, muitos crentes sofreram devido à sua fidelidade a Cristo.
Alguns foram presos, exilados ou mortos.
A Igreja honra-os como mártires quando deram a vida em testemunho da fé.
No entanto, esta Bem-aventurança não significa que toda a crítica ou toda a dificuldade constitua uma perseguição religiosa.
Jesus fala daqueles que sofrem devido à sua fidelidade à justiça e ao Evangelho.
O cristão é chamado a defender a verdade com humildade, sem procurar deliberadamente o conflito.
Quando se depara com oposição, deve esforçar-se por responder com paciência e caridade.
Esta Bem-aventurança lembra-nos que o julgamento dos homens não é o critério definitivo da nossa fidelidade a Deus.
A promessa do Reino dos Céus torna-se uma fonte de esperança para aqueles que permanecem fiéis a Cristo, apesar das provações.
11. «Alegrai-vos e exultai»: a promessa de Jesus aos perseguidos
Depois de ter proclamado as oito Bem-aventuranças, Jesus dirige-se mais diretamente aos seus discípulos:
« Bem-aventurados sois vós, se vos insultarem, se vos perseguirem e se disserem falsamente todo o tipo de mal contra vós, por minha causa.» (Mateus 5, 11)
Depois, acrescenta:
« Alegrai-vos e exultai, pois grande é a vossa recompensa nos céus!» (Mateus 5, 12)
Estas palavras dão continuidade à oitava Bem-aventurança.
Mostram que a alegria cristã não depende apenas do reconhecimento humano.
Quem permanece fiel a Cristo pode manter uma esperança profunda, mesmo quando atravessa provações.
Esta alegria não é indiferença perante o sofrimento.
Nasce da certeza de que Deus permanece fiel às suas promessas.
Jesus recorda também que os profetas do Antigo Testamento enfrentaram oposição e perseguição.
Os discípulos inscrevem-se assim numa longa história de fidelidade a Deus.
Cristo convida-os a olhar para além das dificuldades presentes, em direção à realização do Reino.
12. As Bem-aventuranças: o retrato espiritual de Jesus Cristo
As Bem-aventuranças não constituem apenas uma lista de comportamentos a adotar.
Revelam também a forma como o próprio Jesus viveu.
Cristo é pobre de coração, pois vive numa confiança total no seu Pai.
É manso e humilde, tal como Ele próprio afirma no Evangelho.
É misericordioso para com os pecadores e as pessoas rejeitadas.
Possui um coração perfeitamente puro, inteiramente voltado para a vontade divina.
É artífice da paz, pois vem reconciliar a humanidade com Deus.
Tem fome e sede de justiça, pois toda a sua missão manifesta a verdade e o amor do Pai.
Ele conhece as lágrimas, nomeadamente perante a morte de Lázaro e perante Jerusalém.
Por fim, aceita a perseguição e a Paixão por fidelidade à sua missão de salvação.
Assim, as Bem-aventuranças traçam o rosto de Cristo.
Convidam-nos a assemelhar-nos a Ele progressivamente.
A vida cristã não consiste apenas em admirar Jesus.
Consiste em segui-Lo e deixar que o Seu Espírito transforme o nosso coração.
Viver as Bem-aventuranças é aprender a amar, a perdoar e a ter esperança como Jesus.
13. As Bem-aventuranças e a santidade no ensinamento da Igreja Católica
A Igreja Católica considera as Bem-aventuranças como um ensinamento central da vida cristã.
O Catecismo da Igreja Católica dedica-lhes, nomeadamente, os parágrafos 1716 a 1729.
Explica que elas respondem ao desejo natural de felicidade presente no coração humano e orientam esse desejo para Deus.
As Bem-aventuranças revelam-nos a vocação última do homem: viver em comunhão com o Senhor.
Iluminam igualmente as escolhas morais que somos chamados a fazer.
Convidam-nos a preferir o amor ao egoísmo, a verdade à mentira e a fidelidade a Deus às seduções passageiras.
O Papa Francisco destacou particularmente este ensinamento na sua exortação apostólica Gaudete et Exsultate, publicada em 2018 e dedicada ao apelo à santidade no mundo atual.
Nela, apresenta as Bem-aventuranças como um caminho concreto para nos tornarmos santos na vida quotidiana.
A santidade não está reservada a algumas pessoas extraordinárias.
É a vocação de todos os batizados.
Um pai ou uma mãe, um trabalhador, um idoso, um doente ou um jovem pode viver as Bem-aventuranças de acordo com as circunstâncias da sua vida.
A santidade começa muitas vezes nos gestos mais simples, realizados com fé e amor.
14. Como viver as oito Bem-aventuranças no dia a dia?
As Bem-aventuranças podem parecer difíceis de pôr em prática.
No entanto, dizem diretamente respeito à nossa vida quotidiana.
Viver a pobreza de coração consiste em reconhecer os nossos limites e não fazer das riquezas a nossa única segurança.
Aceitar a consolação de Deus convida-nos a confiar-Lhe os nossos sofrimentos e a acompanhar aqueles que choram.
Praticar a mansidão significa aprender a controlar a nossa ira e a respeitar os outros, mesmo em caso de desacordo.
Ter fome e sede de justiça leva-nos a agir com honestidade e a defender a dignidade humana.
Ser misericordioso exige que perdoemos e ajudemos as pessoas vulneráveis.
Cultivar a pureza de coração significa procurar a sinceridade, a fidelidade e a retidão das nossas intenções.
Tornarmo-nos artífices da paz convida-nos a promover o diálogo e a reconciliação.
Por fim, permanecer fiel a Cristo apesar da oposição ensina-nos a depositar a nossa confiança nas promessas de Deus.
Não é necessário ter sucesso perfeito em todas estas áreas já hoje.
A vida cristã é um caminho de conversão progressiva.
Cada dia oferece-nos novas oportunidades para avançar.
Podemos começar por escolher uma Bem-aventurança e procurar vivê-la de forma mais consciente durante vários dias.
A oração, o exame de consciência e os sacramentos ajudam-nos a progredir.
As Bem-aventuranças não são um ideal inatingível: são um caminho que percorremos com a graça de Deus.
15. Por que razão as Bem-aventuranças continuam a ser essenciais hoje em dia?
Mais de dois mil anos após a sua proclamação, as Bem-aventuranças mantêm uma atualidade surpreendente.
A nossa sociedade valoriza frequentemente a riqueza, o desempenho, o sucesso individual e o reconhecimento social.
A felicidade é, por vezes, apresentada como o resultado da posse, do conforto ou da popularidade.
Jesus propõe-nos outra perspetiva.
Ele lembra-nos que o ser humano não pode encontrar a sua realização apenas nos bens materiais.
Precisa de amor, de verdade, de justiça, de paz e de comunhão com Deus.
As Bem-aventuranças não nos convidam a desprezar o mundo.
Ensinam-nos a viver de outra forma no seio do mundo.
Encorajam-nos a prestar especial atenção às pessoas vulneráveis, a rejeitar a violência e a procurar a reconciliação.
Ensinam-nos também que a nossa dignidade não depende da nossa situação social.
Uma pessoa pobre, doente ou em dificuldades continua a ser infinitamente preciosa aos olhos de Deus.
Num mundo marcado por divisões, conflitos e inquietações, as Bem-aventuranças representam um apelo à construção de uma sociedade mais fraterna.
Elas recordam-nos que a verdadeira felicidade cresce quando aprendemos a amar.
16. Perguntas frequentes sobre as Bem-aventuranças de Jesus
Quais são as oito Bem-aventuranças no Evangelho segundo São Mateus?
As oito Bem-aventuranças proclamam bem-aventurados os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os de coração puro, os artífices da paz e os que são perseguidos por causa da justiça.
Onde se encontram as Bem-aventuranças na Bíblia?
As Bem-aventuranças mais conhecidas encontram-se no Evangelho segundo São Mateus, no capítulo 5, versículos 1 a 12, no início do Sermão da Montanha. O Evangelho segundo São Lucas também apresenta as Bem-aventuranças no seu capítulo 6.
Qual é a mensagem principal das Bem-aventuranças?
As Bem-aventuranças ensinam que a verdadeira felicidade encontra-se na comunhão com Deus e numa vida marcada pela humildade, pela justiça, pela misericórdia, pela pureza de coração e pela paz.
Por que razão Jesus diz que os pobres são bem-aventurados?
Jesus não apresenta a miséria como um bem em si mesma. Ele revela que aqueles que reconhecem a sua necessidade de Deus podem acolher o Seu Reino com um coração humilde e disponível.
As Bem-aventuranças são mandamentos?
As Bem-aventuranças não estão formuladas como os Dez Mandamentos. Constituem proclamações de felicidade e promessas divinas, ao mesmo tempo que indicam as atitudes espirituais a que os discípulos de Cristo são chamados.
Que diferença existe entre as Bem-aventuranças de Mateus e as de Lucas?
Mateus apresenta oito Bem-aventuranças principais, seguidas de uma mensagem dirigida aos discípulos, enquanto Lucas relata quatro Bem-aventuranças acompanhadas de quatro advertências. Ambos os relatos destacam aspetos complementares do ensinamento de Jesus.
Como viver as Bem-aventuranças em família?
Uma família cristã pode viver as Bem-aventuranças cultivando a paciência, o perdão, a generosidade, a oração, o respeito mútuo e a atenção às pessoas necessitadas.
Por que razão as Bem-aventuranças são um caminho de santidade?
Descrevem as disposições do coração que permitem assemelhar-se mais a Cristo. Ao vivê-las com a graça de Deus, o cristão progride no amor e na fidelidade ao Evangelho.
17. Oração para viver as Bem-aventuranças de Jesus
Senhor Jesus,
Tu que proclamaste as Bem-aventuranças no monte, abre o meu coração à beleza do Teu ensinamento.
Num mundo em que, por vezes, procuro a felicidade nas coisas passageiras, ensina-me a descobrir a verdadeira alegria que vem de Ti.
Dá-me um coração pobre e humilde, capaz de reconhecer que preciso do Teu amor e da Tua graça.
Quando as lágrimas e as provações atravessarem a minha vida, lembra-me que estás perto daqueles que sofrem e que o Teu consolo não lhes faltará.
Ensina-me a ser manso quando a ira me domina.
Dá-me paciência para responder com amor quando me deparo com a incompreensão ou a injustiça.
Faz crescer em mim a fome e a sede de justiça.
Que eu procure sempre a verdade e que respeite a dignidade daqueles que Tu colocas no meu caminho.
Senhor, torna o meu coração misericordioso.
Ajuda-me a perdoar as ofensas, a compreender as fraquezas humanas e a nunca fechar o meu coração àqueles que precisam de ajuda.
Purifica os meus pensamentos, as minhas intenções e os meus desejos.
Que eu Te possa procurar com sinceridade e reconhecer a Tua presença nos acontecimentos da minha vida.
Faz de mim um artífice da paz.
Que as minhas palavras apaziguem os conflitos, que os meus gestos promovam a reconciliação e que a minha atitude testemunhe o Teu amor.
Quando a minha fé for posta à prova, dá-me a coragem de permanecer fiel ao Teu Evangelho.
Não permitas que o medo do julgamento dos outros me afaste de Ti.
Senhor Jesus, Tu que viveste na perfeição as Bem-aventuranças, ensina-me a seguir todos os dias os Teus passos.
Que a minha vida se torne um testemunho de humildade, caridade, justiça e esperança.
Jesus, conduz-me pelo caminho das Bem-aventuranças, para que eu descubra, já hoje, a alegria do Teu Reino e possa, um dia, viver eternamente ao Teu lado.
Ámen.
Conclusão: As Bem-aventuranças, o verdadeiro caminho da felicidade cristã
As Bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Evangelho segundo São Mateus constituem um dos ensinamentos mais esclarecedores de toda a Bíblia.
Elas abalam a nossa forma habitual de compreender a felicidade.
Enquanto o mundo nos encoraja frequentemente a procurar a riqueza, o poder e o reconhecimento, Jesus convida-nos a descobrir a alegria na humildade, na mansidão, na justiça, na misericórdia e na paz.
As Bem-aventuranças não prometem uma existência sem dificuldades.
Elas revelam-nos que a presença de Deus pode transformar a forma como enfrentamos as provações.
Ensinam-nos a não desesperar perante o sofrimento, a não responder à violência com violência e a nunca renunciar ao amor.
Constituem também um retrato espiritual de Cristo, que viveu cada uma destas atitudes até à entrega total da sua vida.
Ao seguirmos o seu exemplo, descobrimos progressivamente que a santidade não está reservada a algumas pessoas excecionais.
Começa na nossa vida quotidiana, quando escolhemos amar, perdoar, partilhar e confiar em Deus.
As Bem-aventuranças recordam-nos, por fim, que a nossa existência tem um destino eterno.
A felicidade a que aspiramos profundamente encontra a sua plenitude na comunhão com Deus.
Pois a verdadeira felicidade cristã não consiste em possuir cada vez mais, mas em aprender a amar como Jesus, a viver segundo o seu Evangelho e a acolher, já hoje, a promessa do seu Reino.