Na Bíblia, São Miguel surge como um arcanjo guerreiro ao serviço de Deus, particularmente associado à defesa do povo de Deus e à luta contra as forças do mal. O seu papel de protetor baseia-se principalmente em três grandes passagens bíblicas: o Livro de Daniel, o Apocalipse de São João e a Epístola de Judas.
São Miguel, protetor do povo de Deus
É no Livro de Daniel que Miguel aparece como um poderoso defensor.
O profeta Daniel tem uma visão enquanto atravessa um período de angústia e oração. Um mensageiro celestial revela-lhe que uma batalha espiritual atrasou a sua vinda e que Miguel veio em seu auxílio.
Em Daniel 10, Miguel é apresentado como «um dos primeiros príncipes». Mais adiante, é designado como aquele que protege o povo de Deus.
Esta missão torna-se ainda mais evidente em Daniel 12,1. O texto anuncia que, no momento de uma grande provação, Miguel se levantará para defender o povo de Deus.
Assim, já desde o Antigo Testamento, São Miguel está associado a uma imagem muito forte: a do defensor que se mantém ao lado dos fiéis quando o mal e a provação se manifestam.
A grande batalha de São Miguel contra o Dragão
A passagem bíblica mais famosa relativa a São Miguel encontra-se no Apocalipse, capítulo 12.
São João descreve uma visão impressionante: uma batalha irrompe no céu.
De um lado estão Miguel e os seus anjos. Do outro, o Dragão e os seus anjos. O Dragão é identificado no relato como a antiga serpente, o Diabo ou Satanás.
Miguel conduz então os anjos fiéis a Deus para a batalha.
O Dragão é derrotado e precipitado para fora do céu.
Esta cena está na origem de numerosas representações de São Miguel: com as asas abertas, vestido como um guerreiro, empunhando uma espada ou uma lança e subjugando o demónio aos seus pés.
Mas o significado bíblico desta vitória é, acima de tudo, espiritual. São Miguel não luta pela sua própria glória. Ele luta ao serviço de Deus contra aquilo que procura afastar a humanidade d’Ele.
«Quem é como Deus?»
O nome Miqueal provém do hebraico Mikha’el e significa:
«Quem é como Deus?»
Esta pergunta expressa precisamente a missão tradicionalmente atribuída ao arcanjo: recordar que nenhum poder pode colocar-se acima de Deus.
É por isso que São Miguel se tornou, na tradição cristã, o símbolo da fidelidade a Deus perante o mal, o orgulho e a tentação.
São Miguel e a Epístola de Judas
São Miguel aparece também no Novo Testamento, na epístola de Judas, versículo 9.
O texto evoca um confronto entre o arcanjo Miguel e o diabo a respeito do corpo de Moisés.
Um pormenor é particularmente importante: Miguel não pretende vencer o mal com o seu próprio poder. Ele confia na autoridade de Deus.
Isto revela uma dimensão essencial da proteção de São Miguel: a sua força provém de Deus.
Por que razão rezamos a São Miguel para pedir a sua proteção?
A partir destas passagens bíblicas, a tradição cristã foi reconhecendo progressivamente São Miguel como um grande protetor na luta espiritual.
Pede-se-lhe, nomeadamente, a sua intercessão para proteger as famílias, acompanhar aqueles que atravessam provações, resistir às tentações, recuperar a coragem no medo e permanecer fiéis a Deus.
Rezar a São Miguel não significa, portanto, atribuir-lhe um poder independente de Deus. Na fé católica, só Deus é a fonte de toda a proteção. São Miguel é invocado como o arcanjo fiel que combate e intercede ao serviço de Deus.
A sua história bíblica transmite, em última análise, uma mensagem de esperança: o mal pode parecer poderoso, mas não tem a última palavra.
São Miguel lembra-nos que, mesmo no meio da luta e da provação, o crente é chamado a permanecer na confiança.
São Miguel Arcanjo, defenda-nos na luta, proteja as nossas famílias e conduza-nos sempre para Deus. Ámen. ?