A Candelária, celebrada a 2 de fevereiro, é uma festa cristã que comemora a Apresentação de Jesus no Templo, conforme mencionado no Novo Testamento. No entanto, ela também é marcada por tradições profanas, incluindo o delicioso costume de fazer e saborear panquecas. Essa associação entre a Chandeleur e a festa das panquecas remonta a séculos e deu origem a rituais culinários que perduram através das gerações.
A ligação entre a Candelária e as panquecas remonta a tradições pagãs anteriores à era cristã. Esta festa, que ocorre a meio caminho entre o solstício de inverno e a primavera, estava associada às celebrações da luz e do regresso dos dias mais longos. A confeção de panquecas simbolizava a transformação dos dias sombrios do inverno num período mais luminoso e fértil.
A prática de fazer crepes na Chandeleur perpetuou-se ao longo dos séculos, integrando harmoniosamente elementos cristãos e pagãos. Hoje, a preparação e degustação de crepes na Chandeleur tornou-se uma tradição popular em muitos lares em todo o mundo.
Várias interpretações simbólicas estão associadas a esta tradição culinária:
A Roda do Sol:
A forma redonda das panquecas é frequentemente interpretada como um símbolo do sol, representando a luz e o calor que regressam após os longos dias de inverno. Alguns vêem nela a representação de uma roda solar, um símbolo pagão de renovação.
Prosperidade e Fertilidade:
A massa líquida das panquecas é frequentemente associada à riqueza e à prosperidade. Segundo o costume, quanto mais alto se atirar a panqueca na frigideira, mais sorte e prosperidade se terá durante o ano. A forma redonda das panquecas também pode simbolizar a moeda de ouro oferecida por José e Maria durante a purificação de Jesus. O dia da Candelária é frequentemente marcado por reuniões familiares, durante as quais pequenos e grandes participam na preparação e cozedura das panquecas. As coberturas variam de acordo com os gostos pessoais, indo do clássico açúcar e limão a coberturas mais elaboradas, como compota, chocolate derretido ou até mesmo chantilly. Para além do seu aspeto religioso, esta celebração culinária continua a reunir as famílias em torno de uma atividade convivial e gulosa, perpetuando assim uma tradição que alia prazer gustativo e simbolismo profundo.