Um médico no centro da fé
São Pantaleão nasceu em Nicomédia (atual Turquia) no final do século III, numa família nobre. O seu nome significa «todo-compassivo». O seu pai, Eustórgio, era pagão, mas a sua mãe, Eubula, era cristã. Ela faleceu quando ele ainda era jovem, e ele foi criado na fé pagã. Dotado para as ciências, estudou medicina com um dos médicos mais famosos da época e rapidamente se tornou um profissional respeitado na corte do Imperador Maximiano.
A sua vida virou-se do avesso quando conheceu um sacerdote cristão, Hermolaos. Este introduziu-o ao cristianismo e convidou-o a refletir sobre o poder de Cristo na arte da cura. Pantaleão começou a curar não só através das suas competências médicas, mas também através da oração. Um dia, curou um cego em nome de Jesus. Este milagre confirmou a sua fé: pediu para ser batizado e dedicou a sua vida a servir os doentes, gratuitamente.
O médico dos corpos e das almas
Tornando-se médico cristão, Pantaleão curava sem nunca pedir honorários. Visitava os mais pobres, consolava os moribundos, curava os feridos e rezava com os doentes. Rapidamente ficou conhecido como um médico cheio de misericórdia e fé, o que despertou a inveja dos seus colegas pagãos.
Estes denunciaram-no ao imperador Maximiano como cristão. O imperador, que o tinha em grande estima, tentou primeiro persuadi-lo a renunciar à sua fé. Mas Pantaleão recusou com gentileza e firmeza. Começou então uma série de terríveis torturas: foi queimado com tochas, atirado para chumbo derretido, amarrado a uma roda cheia de lâminas, abandonado aos animais selvagens... mas saiu milagrosamente ileso de cada vez.
Finalmente, foi decapitado no ano de 305. Segundo a tradição, quando é atingido pela espada, o seu sangue mistura-se com leite, e uma oliveira seca nas proximidades volta instantaneamente a ficar verde. Morre murmurando uma oração pelos seus carrascos.
Santo padroeiro dos médicos e dos doentes
Desde cedo, São Pantaleão foi honrado como mártir e curador. A Igreja Ortodoxa incluiu-o entre os «santos anargíricos» — curadores sagrados que não pedem dinheiro. No Ocidente, o seu culto desenvolveu-se principalmente na Idade Média, particularmente na Alemanha, França (especialmente Colónia e Troyes) e sul de Itália.
Hoje é considerado o santo padroeiro dos médicos, enfermeiros e dos doentes, invocado para curas difíceis e cuidados delicados. É um dos catorze santos auxiliares, um grupo de santos protetores muito populares em tempos de epidemias.
O seu nome, na sua forma oriental «Pantaleimão», continua a ser altamente venerado nas Igrejas Orientais, e muitos mosteiros são-lhe dedicados, particularmente no Monte Athos.
Oração a São Pantaleão
São Pantaleão,
médico da fé e mártir de Cristo,
tu que curavas corpos com habilidade,
e as almas com amor e oração,
vem em auxílio daqueles que hoje sofrem.
Intercede pelos doentes, pelos feridos, pelos desesperados.
Inspira os cuidadores a agir com bondade, coragem e verdade.
Derrama a tua bênção sobre os médicos e os hospitais.
Ajuda-nos a unir ciência e caridade, eficiência e compaixão.
Tu que derramaste o teu sangue por amor a Jesus,
Reza por nós nas nossas provações,
e obtém para nós, se for da vontade de Deus, a cura do corpo e do coração.
São Pantaleão, sacerdote da divina misericórdia,
Reza por nós.
Ámen.