Na fé católica, os sacramentais desempenham um papel discreto, mas essencial. Fazem parte da vida espiritual quotidiana de milhões de fiéis, muitas vezes sem que o seu significado mais profundo seja plenamente apreciado. Ao contrário dos sacramentos, que estão no centro da vida cristã, os sacramentais têm uma função complementar: estendem a graça divina às pequenas coisas da vida, aos objetos, gestos, lugares e momentos.
Definição de sacramental
Um sacramental é um sinal sagrado instituído pela Igreja para preparar os fiéis a receber os frutos dos sacramentos e para santificar as diversas situações da vida. O Catecismo da Igreja Católica (n.º 1667) descreve-os da seguinte forma:
«São sinais sagrados pelos quais, segundo uma certa imitação dos sacramentos, se significam e se obtêm, especialmente, efeitos espirituais através da oração da Igreja.»
Por outras palavras, são atos ou objetos abençoados, acompanhados por orações litúrgicas, que dispõem o coração dos fiéis a receber as graças de Deus, sem, no entanto, conferir a graça santificante à maneira dos sacramentos.
Diferenças entre sacramentos e sacramentais
Os sacramentos (tais como o batismo, a confirmação, a Eucaristia...) foram instituídos pelo próprio Cristo e transmitem a graça de forma certa e direta. São sete e são essenciais para a vida cristã.
Os sacramentais, por outro lado, são instituídos pela Igreja para responder a necessidades mais variadas na vida espiritual quotidiana. Não atuam ex opere operato (ou seja, pela mera força do rito realizado), mas a sua eficácia depende da fé e da disposição interior dos fiéis.
São, portanto, mais flexíveis, mais numerosos e adaptam-se a todos os momentos da vida: oração matinal, bênção de uma refeição, proteção numa viagem, conforto na doença, etc.
As diferentes formas de sacramentais
Os sacramentais dividem-se em várias categorias. Aqui estão alguns dos mais conhecidos:
1. Bênçãos
Esta é a forma mais comum de sacramental. Podem envolver pessoas (doentes, crianças, casais, etc.), objetos (crucifixos, imagens sagradas, estátuas, livros religiosos, etc.) ou lugares (casa, igreja, campo, carro, etc.). Invocam a presença e a proteção de Deus sobre o que é abençoado.
2. Objetos abençoados
Uma vez abençoados, certos objetos tornam-se sacramentais. A sua utilização ajuda os fiéis a rezar, a voltar-se para Deus, a recordar a presença de Cristo ou dos santos. Entre eles:
O rosário: para meditar sobre os mistérios da vida de Cristo e de Maria.
A medalha milagrosa: para recordar a proteção maternal da Virgem Maria.
O escapulário: um sinal de união com o Imaculado Coração de Maria e um compromisso de viver de acordo com o Evangelho.
A cruz ou crucifixo: para recordar o sacrifício de Cristo e levar a fé com força.
Água benta: usada para fazer o sinal da cruz, recorda o batismo e afasta o mal.
3. Exorcismos e orações de libertação
Em circunstâncias específicas, a Igreja recorre a orações específicas, tais como os exorcismos, que são também sacramentais. Não há nada de mágico neles, mas baseiam-se na autoridade da Igreja e na fé dos fiéis para pedir a Deus que liberte uma pessoa da influência do mal.
4. Ritos simples
Gestos simples, como fazer o sinal da cruz, aspergir-se com água benta, queimar incenso, acender uma vela, recitar uma oração com o coração, também podem ser sacramentais. São formas de santificar a vida quotidiana, de trazer Deus para os gestos comuns.
A sua utilidade na vida cristã
Os sacramentais têm um papel pedagógico e espiritual:
Alimentam a fé, tornando visível o sobrenatural.
Recordam-nos a presença de Deus em todos os aspetos da vida.
Fortalecem a vida de oração e o vínculo com os santos, a Virgem Maria e a Igreja.
Protegem espiritualmente contra as tentações e os ataques do mal.
Santificam o mundo material, mostrando que toda a realidade pode ser oferecida a Deus.
Nunca devem ser usados de forma supersticiosa ou mecânica. A sua eficácia deriva da oração da Igreja, mas sobretudo da fé viva da pessoa que os recebe ou utiliza.
Uma prática antiga e ainda viva
O uso dos sacramentais remonta aos primeiros séculos da Igreja. Os cristãos sempre procuraram santificar as suas casas, as suas refeições, os seus mortos, as suas ferramentas de trabalho... Hoje, em todo o mundo, continuam a ser usados com fervor: bênçãos solenes, objetos que se levam consigo, rituais familiares... Testemunham uma fé encarnada, simples e profunda.